ARTISTAS: Bonny Nahmias, Clara Leitão, Diana de Brito, Juliana Matsumura, Rafael Masson, Sally Santiago
CURADORIA: Raffaella Matrone
APOIO: Direcção-Geral das Artes.
PARCEIROS: ULS Branca; Município de Albergaria-a-Velha, Freguesia da Branca.
TEXTO CURATORIAL (ENG below):
Há muitos momentos no nosso dia, ou na nossa vida,em que esperamos: a nossa perceção do tempo encolhe e expande-se continuamente, mas nunca pára como acontece quando esperamos pelo médico. As salas de espera são espaços liminares, suspensos no tempo, onde os únicos movimentos são o amontoar dos nossos pensamentos e o tremor nervoso dos nossos membros.
Na terapia Gestalt, a cura é entendida como um ciclo e a espera não tem necessariamente uma conotação negativa. Pelo contrário, esta imobilidade desconfortável, chamada o Vazio Fértil, é uma fase em que se pode permitir que algo novo germine, tal como quando plantamos sementes na primavera e temos de esperar pelo outono para a colheita. Tal como em qualquer outra fase dos ciclos naturais, as salas de espera podem, assim, tornar-se um estado — e um lugar — transitório de existência e transformação: o tempo, tal como a cura, move-se de forma não linear. A cura, tal como o espaço, pode assumir muitas formas e configurações.
Os seis artistas convidados para a exposição A ESPERA FÉRTIL abordam o tema do tempo como uma oportunidade para refletir sobre cura interior e cura comunitária. As obras selecionadas dialogam com ideias de saúde e cuidado através da ancestralidade, da migração, da espiritualidade e de outros mecanismos de adaptação para lidar com questões e sentimentos que são maiores do que nós, como os conflitos e o significado da vida durante a doença ou após a morte. Embora a sala de espera nos possa fazer sentir sós e alienados, esta exposição incentiva-nos a transformar este lugar temporário de pertença numa espera fértil, onde se partilham momentos de solidariedade e cuidado, seja connosco próprios, entes queridos ou estranhos.
Raffaella Matrone
Branca, janeiro 2026
_______
There are many occasions in our day, or life, that we find ourselves waiting: our perception of time constantly shrinks and expands, and yet, never really stops like when we wait for the doctor. Waiting rooms are a liminal space suspended in time, where the only movements are the crowding of our thoughts and shaking of our nervous limbs.
In Gestalt therapy, healing is seen as a cycle and waiting does not necessarily have a negative connotation. On the contrary, this uncomfortable stillness called the Fertile Void is a phase where one can allow for something new to germinate, in the same way as when we plant seeds in Spring and must wait Autumn to harvest. Like any other phases of natural cycles, waiting rooms can therefore become a transitional state – and place – of being and transformation: time, like healing, moves in a non-linear way. Healing, like space, can take many shapes and forms.
The six invited artists to THE FERTILE WAIT exhibition, approach the theme of time as an opportunity to reflect on inner healing and community healing. The selected works engage with ideas of health and care through ancestry, migration, spirituality and other coping mechanisms to deal with some questions and feelings that are bigger than us, like conflicts and the meaning of life during sickness or after death. While the waiting room can make us feel lonely and alienated, the exhibition encourages us to make this temporary place of belonging a fertile wait to share moments of solidarity and care, either within ourselves or with accompanying loved ones and strangers.
Raffaella Matrone
Branca, january 2026






















