Saúde em Progresso | Curarte

ARTISTAS: a.ribeiro, Inés Ballesteros e Michela Dal Brollo, Elisa Azevedo, Miguel Tavares e Sandra Teixeira

CURADORIA: Alexandra Strelcova

APOIO: Direcção-Geral das Artes.
PARCEIROS: ULS Branca; Município de Albergaria-a-Velha, Freguesia da Branca.

TEXTO CURATORIAL (ENG below):

Vamos a um centro de saúde em busca de cura, mas nas economias de mercado de hoje, tratamento ou medicamento não equivalem necessariamente a cura em si. Afinal, o estado dos cuidados de saúde reflete cada vez mais as enfermidades da sociedade tardo-capitalista na própria natureza da doença: a poluição do ar pode desencadear infeções respiratórias, hábitos de vida prejudiciais contribuem para doenças crónicas, a poluição por plásticos infiltrou-se em tudo, desde glaciares até embriões humanos, e a agricultura intensiva — desenvolvida para alimentar o planeta — degradou os solos apenas para enriquecer alguns. Economias viciadas em combustíveis fósseis aceleram a perda de biodiversidade e intensificam o colapso climático, que continua a devorar o planeta e todos os seus habitantes.

Um estudo recente sugere que, em apenas dois séculos, a ligação humana à natureza diminuiu 60%. Ironicamente, na Península Ibérica este vazio parece ter provocado uma resposta violenta da própria natureza: no verão passado, os incêndios florestais chegaram aos limites desta vila; este ano, as chamas bateram um novo recorde em toda a região. A natureza não está ausente aqui, mas sim hiper-presente — pronta para ser extraída, combustível, exigindo atenção de formas simultaneamente destrutivas e engenhosas.

É neste cenário — onde a precariedade ecológica reflete as lutas de uma geração — que a exposição SAÚDE EM PROGRESSO questiona: o que significa criar e sustentar saúde, tanto pessoal como coletiva, numa era de declínio? Para abordar esta questão, convidámos cinco jovens artistas de Portugal e Espanha a apresentarem obras que exploram a noção de saúde — seja ela individual, social ou planetária.

As obras selecionadas dialogam com as relações humano–planta, culturas materiais, paisagens digitais e futuros precários nos quais a colaboração entre espécies se torna uma necessidade e não uma exceção. Enquanto aguardamos curas para as nossas aflições persistentes, que estas obras possam constituir-se como testemunho da nossa ligação perdida com a natureza — e acender o desejo de a restaurar.

Alexandra Strelcova
Branca, setembro 2025

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We go to a health centre in search of healing, yet in today’s market economies, treatment or medication does not necessarily equate to healing itself. The state of healthcare increasingly reflects the ailments of late-capitalist society in the very nature of illness: air pollution triggers respiratory infections; unhealthy lifestyles contribute to chronic disease; plastic pollution has infiltrated everything from glaciers to human embryos; and intensive agriculture—developed to feed the world—has degraded the soil while enriching only a few. Economies addicted to fossil fuels continue to accelerate biodiversity loss and intensify climate breakdown, which relentlessly consumes the planet and all its inhabitants.

A recent study suggests that, over the course of just two centuries, humanity’s connection to nature has declined by 60%. Ironically, on the Iberian Peninsula this void seems to have provoked a violent response from nature itself: last summer, wildfires reached the outskirts of this village; this year, the flames have set yet another record across the region. Nature is not absent here—it is hyper-present: ready to be extracted, transformed into fuel, and demanding our attention in ways that are at once destructive and resourceful.

It is against this backdrop—where ecological precarity mirrors the struggles of an entire generation—that the exhibition HEALTH IN PROGRESS asks: what does it mean to create and sustain health, both personal and collective, in an age of decline? To explore this question, we invited five emerging artists from Portugal and Spain to present works that examine the notion of health, whether individual, social, or planetary.

The selected works engage with human–plant relationships, material cultures, digital landscapes, and precarious futures in which collaboration between species becomes a necessity rather than an exception. As we wait for cures to our persistent afflictions, may these works stand as testimony to our lost connection with nature—and kindle the desire to restore it.

Alexandra Strelcova
Branca, september 2025

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